Medo

Por Oriah

“Não me interessa saber sua idade.
Quero saber se você correria o risco
De parecer tolo por amor, pelo seu sonho,
Pela aventura de estar vivo”.

“Sempre que obedeço a meus desejos mais profundos, o medo está lá, retorcendo as mãos, me advertindo com sua ladainha de “e se…”. Não tento replicar com argumentos moderados sobre riscos aceitáveis. Já não tento me obrigar a agir por vergonha, admoestando-me para deixar de ser fraca, nem finjo não ter medo. Simplesmente parto na direção do que escolhi, tomando o cuidado de fazer tudo aquilo que sei que irá me ajudar a manter o medo num nível em que poderei continuar a senti-lo e, ainda assim, prosseguir caminhando.

Aprendi que fazer as coisas do modo mais difícil não nos dá elementos para serem trocados por recompensas maiores no futuro.

Não creio que a negação do medo nos liberte dele. Temer faz parte de estar vivo.
Às vezes, em situação perigosa, o medo pode preservar a vida. É uma reação natural à expectativa da dor e nasce do entendimento de que, se vivemos e amamos plenamente, sentiremos as perdas que inevitavelmente fazem parte do ciclo permanente de mudanças.

Não quero saber sua idade. Sua idade me revela há quanto tempo você está vivo, mas não o que fez do precioso tempo que lhe foi dado.

Permanecer, resistir, não é o suficiente. Conte-me quantas vezes você se arriscou e como enfrenta o seu medo. Você se intimida ou se envergonha, bajula ou argumenta sensatamente, ou apenas busca o entorpecimento no excesso de trabalho, de bebida ou do caos do drama emocional?

Posso fazer qualquer escolha em minha vida – e conviver com as consequências dessa escolha. Mas, se quiser viver uma vida mais próxima dos meus desejos mais profundos, tenho de correr o risco de saber quem realmente sou e sempre fui. Sabendo isso, sou capaz então de escolher.

Temos medo de não realizar o bastante. Todos os nossos desejos mais profundos são o modo de nossa alma nos chamar de volta para simplesmente sermos quem somos.

Quando viro o rosto ao meu anseio por medo de parecer tola, tenho de cobrir as fendas provocadas pela decisão de abandonar o ardor do meu desejo. Mas minha alma está excessivamente comprometida com a vida para desistir. Tarde da noite, já por demais cansada para ser capaz de afastar esse desejo, minha alma vem me procurar, pedindo-me simplesmente para ficar com ela e com meu medo dela. Posso ouvi-la, uma voz baixa e insistente pedindo-me ainda, a cada dia, pela minha própria vida. E no momento em que isso me é lembrado, nenhum risco prece grande demais”.

Questão: Diga-me, em que momento na sua vida ousou, arriscou e venceu? O que aprendeu com esta experiência?

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