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Juliana Leal
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O Convite

Por Oriah“Não me interessa saber como você ganha a vida.
Quero saber o que mais deseja e se ousa sonhar em satisfazer os anseios do seu coração
Não me interessa saber sua idade.
Quero saber se você correria o risco de parecer tolo por amor, pelo seu sonho, pela aventura de estar vivo.
Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua.
O que eu quero saber é se você já foi até o fundo de sua própria tristeza, se as traições da vida o enriqueceram ou se você se retraiu e se fechou, com medo de mais dor.Quero saber se você consegue conviver com a dor, a minha, a sua, sem tentar esconde-la, disfarçá-la ou remediá-la.Quero saber se você é capaz de conviver com a alegria, a minha ou a sua, de dançar com total abandono e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos, sem nos advertir que sejamos cuidadosos, que sejamos realistas, que nos lembremos das limitações da condição humana.
Não me interessa se a história que você me conta é verdadeira.
Quero saber se é capaz de desapontar o outro para manter-se fiel a si mesmo. Se é capaz de suportar uma acusação de traição e não trair sua própria alma, ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.Quero saber se você é capaz de enxergar a beleza no dia-a-dia, ainda que ela não seja bonita, e fazer dela a fonte da sua vida.Quero saber se você consegue viver com o fracasso, o seu e o meu, e ainda assim pôr-se de pé na beira do lago e gritar para o reflexo prateado da lua cheia: “Sim!”
Não me interessa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem.
Quero saber se, após uma noite de tristeza e desespero, exausto e ferido até os ossos, é capaz de fazer o que precisa ser feito para alimentar seus filhos.
Não me interessa quem você conhece ou como chegou até aqui.
Quero saber se vai permanecer no centro do fogo comigo sem recuar.
Não me interessa onde, o que ou com quem estudou.
Quero saber o que o sustenta, no seu íntimo, quando tudo mais desmorona.Quero saber se é capaz de ficar só consigo mesmo e se nos momentos vazios realmente gosta da sua própria companhia.”

 

  “A humildade do coração não exige que te humilhes, mas que te abras. É essa a chave das mudanças”. Antonie de Saint Exupery

Dizendo Sim ao Convite

Por Oriah

“O Convite é uma declaração de intenções, um mapeamento dos anseios da alma, do desejo de viver apaixonadamente, cada um cara a cara consigo mesmo e com a pele colocada ao mundo que nos cerca, não aceitando senão o que é real. É uma jornada pelo território traçado. Antes de decidirmos cruzar esse território juntos, alguns pontos devem ficar claros. Porque simplesmente dizer sim ao Convite, sentindo o impulso do coração ou a aceleração sanguínea exigindo que avancemos, não é o mesmo que fazer de fato a caminhada.

Se basearmos parte da vida em mentiras, ou em verdades que não mais se sustentam, não importa se bem intencionadas ou inconscientes, as mudanças provocadas pela intimidade podem ser muito perigosas.

Não podemos antecipar que aspectos, se é que há algum, do nosso cuidadosamente construído sentido de “EU” irão sobreviver. Essa é a boa notícia, e a má também. Se você decidir fazer a caminhada, uma mudança real será possível e inevitável e, desse ponto de vista, totalmente imprevisível.

Nos momentos de dificuldade, eu farei você lembrar aquilo que já sabe: que pode fazer isso, que a coragem de ir fundo consiste em permitir que o desejo cresça mais que o medo, que a força reside na vontade de não aceitar nada menor.

Sabemos que aquilo que fazemos e o modo como pensamos afetam a qualidade de nossas vidas. A vida vivida intimamente pode não ser mais fácil, mas é mais completa, mais rica e mais aberta a tudo: à desordem e ao discernimento, à excitação e ao tédio, à sombra e à luz.

Sou forçada por uma profunda necessidade da alma, movida por um desejo que não me deixa só, de viver a vida plenamente.

Viver plenamente o presente não significa negligenciar as conseqüências das atitudes que tomamos no futuro. Busco a sabedoria numa vida que combine contemplação e ação. A verdadeira contemplação – viver de fato as alegrias e tristezas do meu coração e do mundo – me leva à ação, guiada pela consciência e impulsionada por uma paixão pela vida”.

Questão: Quando se imaginar velho(a), no fim da vida e avaliar seu tempo neste mundo, qual será a pergunta que fará a si mesmo(a)? O que fez de melhor para sentir-se realizado(a) durante a passagem por esta existência?

Pensamento

“Dizer que estamos numa época de mudanças e de instabilidade parece redundância ou afirmação prosaica. Contudo, o que importa é que, à medida que o ambiente se torna mais instável e turbulento – como é o que está acontecendo no mundo de hoje -, maior a necessidade de opções diferentes para a solução dos problemas e situações que se alteram e se diferenciam de maneira crescentemente diversa.” (Chiavenato, 1993, p.XXXI)

Traição

Por Oriah

“Não me interessa se a história que você me conta
é verdadeira.
Quero saber se é capaz
de desapontar o outro
para se manter fiel a si mesmo.
Se é capaz de suportar uma acusação de traição
e não trair sua própria alma,
ou ser infiel e,
mesmo assim, ser digno de confiança”.

“Muitas vezes procuramos alguém em quem possamos confiar mais do que em nós mesmos. Talvez isso ocorra porque sabemos com que freqüência nos traímos.

É desagradável quando alguém nos surpreende quebrando promessas antigas. No entanto, se vivemos plenamente, é inevitável que isso ocorra às vezes, porque as mudanças são inevitáveis e os compromissos, para que continuem vitais, devem ser refeitos e renovados. Muitas vezes evitamos constatar que quebramos promessas, fingindo que nada mudou.

Inconscientemente, fazemos esses arranjos silenciosos em todos os lugares – na família, nas comunidades espirituais e nas empresas.

Nós nos traímos quando negamos a mudança que nos apavora, quando mantemos a ilusão aparente de que tudo permanece igual. Se alguém dá nome à traição, tudo começa a ser esclarecido. Quando nossa negação do que ocorreu é tão profunda que parece total, o choque da revelação é avassalador. Sentimo-nos perdidos, atordoados, destruídos.

Quando reconhecemos a traição e nos responsabilizamos pela decisão de romper acordos, por saber que alguém quebrou um trato conosco, sofremos com a perda antecipada da inocência. Para voltar a confiar, temos de estar dispostos a encarar o que restou da inocência – a ingenuidade deliberada que insiste em negar a verdade e a rejeição por ser demasiadamente dura.

Fingir não trair ou não estar sendo traído pode fazer a traição ser mais fácil de suportar naquele momento, mas aprender a viver com a verdade é o que abre as portas à sabedoria necessária para confiar e ser digno de confiança uma vez mais.

Se não conseguimos conviver com nossa necessidade de renovar os acordos que fizemos, quebramos a única promessa que realmente devemos manter um com o outro – a de sermos verdadeiros. Isso significa encontrar tanto a coragem de sermos autênticos com nós mesmos quanto um modo de conviver com o efeito que nossas atitudes provocam nos outros, mesmo quando não há má intenção e ninguém possa ser culpado.

O verdadeiro dano da traição reside nas mentiras que dizemos a nós mesmos e aos outros, as mentiras que nos fazem perder a fé em nossa capacidade de reconhecer a verdade e agir de acordo com ela.

Devemos pesar o preço que nossa alma pagará se mantivermos o acordo – o preço do que é essencial ao que nós somos – em relação o preço que os outros pagarão se ele for rompido.

Às vezes, podemos decidir nos sacrificarmos por outra pessoa. Pergunte a qualquer pai a respeito dos pequenos sacrifício diários. Decisões que nos custam algo importante que são feitas por amor, podem ser uma escolha da alma.

Questão: Diga-me se é capaz de fazer a escolha definitiva, mesmo quando ela for difícil, mesmo quando ao fazê-la, alguns o considerarem infiel. É capaz de fazê-la sem excluir-se ou excluir a outra pessoa – não importa quem seja o traído ou o traidor nesse momento – do seu coração? Isso é o que eu quero saber. É isso que quero que aprendemos juntos, que nos ensinemos mutuamente, amparando um ao outro quando as escolhas forem difíceis”.

Medo

Por Oriah

“Não me interessa saber sua idade.
Quero saber se você correria o risco
De parecer tolo por amor, pelo seu sonho,
Pela aventura de estar vivo”.

“Sempre que obedeço a meus desejos mais profundos, o medo está lá, retorcendo as mãos, me advertindo com sua ladainha de “e se…”. Não tento replicar com argumentos moderados sobre riscos aceitáveis. Já não tento me obrigar a agir por vergonha, admoestando-me para deixar de ser fraca, nem finjo não ter medo. Simplesmente parto na direção do que escolhi, tomando o cuidado de fazer tudo aquilo que sei que irá me ajudar a manter o medo num nível em que poderei continuar a senti-lo e, ainda assim, prosseguir caminhando.

Aprendi que fazer as coisas do modo mais difícil não nos dá elementos para serem trocados por recompensas maiores no futuro.

Não creio que a negação do medo nos liberte dele. Temer faz parte de estar vivo.
Às vezes, em situação perigosa, o medo pode preservar a vida. É uma reação natural à expectativa da dor e nasce do entendimento de que, se vivemos e amamos plenamente, sentiremos as perdas que inevitavelmente fazem parte do ciclo permanente de mudanças.

Não quero saber sua idade. Sua idade me revela há quanto tempo você está vivo, mas não o que fez do precioso tempo que lhe foi dado.

Permanecer, resistir, não é o suficiente. Conte-me quantas vezes você se arriscou e como enfrenta o seu medo. Você se intimida ou se envergonha, bajula ou argumenta sensatamente, ou apenas busca o entorpecimento no excesso de trabalho, de bebida ou do caos do drama emocional?

Posso fazer qualquer escolha em minha vida – e conviver com as consequências dessa escolha. Mas, se quiser viver uma vida mais próxima dos meus desejos mais profundos, tenho de correr o risco de saber quem realmente sou e sempre fui. Sabendo isso, sou capaz então de escolher.

Temos medo de não realizar o bastante. Todos os nossos desejos mais profundos são o modo de nossa alma nos chamar de volta para simplesmente sermos quem somos.

Quando viro o rosto ao meu anseio por medo de parecer tola, tenho de cobrir as fendas provocadas pela decisão de abandonar o ardor do meu desejo. Mas minha alma está excessivamente comprometida com a vida para desistir. Tarde da noite, já por demais cansada para ser capaz de afastar esse desejo, minha alma vem me procurar, pedindo-me simplesmente para ficar com ela e com meu medo dela. Posso ouvi-la, uma voz baixa e insistente pedindo-me ainda, a cada dia, pela minha própria vida. E no momento em que isso me é lembrado, nenhum risco prece grande demais”.

Questão: Diga-me, em que momento na sua vida ousou, arriscou e venceu? O que aprendeu com esta experiência?

Desejo

Por Oriah

“Não me interessa saber como você ganha a vida. Quero saber o que mais deseja e se ousa sonhar em satisfazer os anseios do seu coração”.

“Algumas vezes tenho medo de meus desejos – medo do que eles venham a me pedir, da visão que ofereçam de mim mesma ou do mundo, e que possam exigir um sacrifício do meu modo de ver as coisas, tão cuidadosamente cultivado.

Se nunca nos deixarmos consumir pelo fogo transformador de nossos desejos, corremos o risco de nos apaixonarmos pela doce inspiração de ansiar pela fantasia do “que tal se…” ou “quem sabe algum dia”.

Para experimentar nosso desejo, sentir nossa aspiração mais profunda, corremos o risco de encontrar os desejos de nossa alma. Corremos o risco de deixar de satisfazer esses desejos. Corremos o rico de vivê-los plenamente.

Você é capaz de ver e tocar o divino que está em tudo?

Questão: Agora diga-me, o que mais deseja?
Não quero ouvir nenhuma outra história de desagregação familiar como explicação para a sua fragilidade. Deixe-me provar suas histórias no sal das lágrimas que seco em seus olhos”.

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